sexta-feira, 10 de junho de 2016

quinta-feira, 2 de junho de 2016

quinta-feira, 19 de maio de 2016

terça-feira, 10 de maio de 2016

Vagabundos no Espaço: making of

Vira e mexe alguém faz a clássica pergunta "como é seu processo?", então publiquei no grupo dos apoiadores do patreon as etapas de uma página do Vagabundos no Espaço e vou deixar aqui também:


1) Esboço: eu sempre faço o letreiramento primeiro, antes até de definir os quadros, pra não ter que espremer os textos depois. Fazer tudo direto no digital ajuda bastante, se eu tivesse no papel e precisasse reduzir um quadro, aumentar um balão etc, teria que refazer até a página inteira em alguns casos. Sobre o esboço em si, as vezes eu faço só uma indicação bem pobre de onde estariam os personagens, como nesse primeiro quadro onde nem cara eles têm, as vezes já deixo tudo definido como nos dois últimos (geralmente quando as expressões faciais e gestos são mais importantes)



2) Desenho: Outra parte boa de desenhar digitalmente é que do esboço eu vou direto pra arte final, sem definir um "lápis". A mão esquerda fica no Ctrl + Z o tempo todo, faço uns 3 ou 4 vezes cada traço até sair do jeito que eu quero. Isso porque na mesa digitalizadora eu não tenho a precisão que teria no papel, mas acho que recompensa porque o traço sai bem mais solto e eu gosto de como ele fica impreciso, sem "cara de régua" como no cenário do primeiro quadro. Esse estilo de desenho eu só desenvolvi no digital, então no papel meu traço não tem muita identidade, por isso eu evito desenhar em lugares públicos =D 

Emoticon wink

3) Cores: atualmente é minha parte favorita do desenho. Colorir não é só botar uma cor qualquer pra não deixar preto e branco, é criar a atmosfera e a ambientação da história. A paleta que eu estou usando nessa página (e nesse planeta em geral) dá uma impressão daquele calor de 5 da tarde quando o sol já tá pra se esconder, eu quis deixar um ar de conforto nesse primeiro capítulo pra definir a "normalidade" da vida do primeiro personagem. Acho bem importante usar a paleta de cores pra contrastar os diferentes ambientes e momentos de uma história e gostaria muito de saber como os japoneses conseguem fazer isso em hqs sem cor.



4) Luz e sombra (versão final): exceto por aquelas três primeira páginas, até aqui essa história não é um bom exemplo de aplicação de sombras, já que elas estão aí só pra dar um volume no desenho e reforçar um pouco essa sensação de entardecer que eu mencionei antes. A função da iluminação é dar dramaticidade (que não é o forte desse personagem, hahaha) então acho que o único exemplo que eu posso dar aqui é que eu abri mão das sombras no quadro em que o Zix está dormindo pra passar a sensação de leveza e vazio do momento. Eu gosto de pensar nessas coisinhas mesmo sabendo que a maioria do público (inclusive eu como leitor) passa batido por elas na maioria das vezes.



P.S: Pós-produção: Essa última imagem é como a página foi inicialmente publicada, mas mudei a cor de um personagem no dia seguinte. Muitas vezes leva um tempo até eu perceber um detalhe que me incomoda num trabalho, e ele ser digital possibilita que eu mude na hora que quiser. No caso dessa página, esse personagem em destaque no primeiro quadro estava com as cores bem destoantes do resto. Na hora eu pensei "ok, dane-se a paleta, os aliens têm que ter cores bem diferentes entre si e seria uma decisão puramente estética deixar ele mais sóbrio em relação ao ambiente", mas depois percebi que a ambientação ali é muito mais importante do que destacar um figurante na cena. Nesse caso, respeitar a paleta não é uma questão plástica e sim narrativa, porque não quero que a atenção do leitor pare tempo demais em um personagem inútil.

Bom, é isso. Sempre que a gente consegue ler uma hq com facilidade significa que o autor pensou em um monte de detalhes para aliviar esse percurso. Eu não tenho muita prática com histórias longas então ainda falho miseravelmente nisso algumas vezes, mas estamos sempre tentando =)

sábado, 30 de abril de 2016